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Prague, Czech Republic

21.4.13

A última parte que contei no post de Viena foi a dificuldade para chegar em Praga. Tivemos problema com as passagens (basta ler o post anterior) e precisamos nos virar pra arranjar solução. Isso foi na quinta-feira da semana de Páscoa - ou seja, véspera de feriado. As simpáticas (só que não) moças do ônibus disseram que ia ser bem difícil conseguir passagens "certas" tão em cima da hora. Fomos para uma estação de metrô que tinha Starbucks e McDonald's, ambas com wifi, jogamos nossas coisas e sentamos no chão mesmo, desesperadas para entrar na internet e ver se íamos pra Praga no mesmo dia ou se seríamos sem teto em Viena por uma noite. Tínhamos perdido o ônibus das 17h40. O das 19h40 só tinha mais um lugar, mas o das 22h40 ainda tinha 30. Compramos super rápido, tentando relevar o fato de que chegaríamos em Praga no meio da madrugada, às 3h30.

Problema resolvido, ficamos aliviadas - o prejuízo foi de €16, mas pelo menos foi a passagem mais barata de toda a viagem. Aí começou a longa e torturante espera de 5 horas. Ficamos sentadas no McDonald's super frio em bancos desconfortáveis tentando passar o tempo. Quando finalmente chegou o momento, dei graças a Deus por não ter ninguém ao meu lado no ônibus, porque eu deitei e dormi. O que foi uma pena, pois foi o melhor ônibus da viagem: televisões individuais com vários programas, chocolate quente de graça... Mas enfim, eu estava com torcicolo e dormi como pude.

Ao chegar em Praga, guess what? Estava nevando! Parece que a neve resolveu nos seguir. A rodoviária estava deserta, exceto pelas pessoas do ônibus, e não sabíamos muito bem o que fazer. Eu tinha o endereço do hostel e instruções de como chegar, mas quem sabia se de madrugada todos os transportes públicos de Praga funcionam? A sorte é que lá tinha wifi e carregamos no google maps o caminho; podíamos pegar um ônibus, mas ele só passava de uma em uma hora. Acabamos pegando um táxi - em Praga também fomos um pouco ricas, porque 1 euro vale 25 coroas tchecas. O apelido da moeda vez era trequinhos, pra diferenciar dos negocinhos da Cracóvia.

Chegando no hostel, bateu mais desespero: o  cara da recepção era lerdo e queria cobrar a mais, depois disse que não tinha a chave do quarto e que teríamos que bater até alguém abrir. O dormitório era para 14 pessoas, misto, e nem tinha isso de chave. Chegamos lá mortas tentando não pensar muito na péssima qualidade do lugar. Eu simplesmente capotei na cama e pronto! Foi no dia seguinte que a situação piorou. Nosso quarto era no último andar e tínhamos que subir 4 lances duplos de escadas. Só tinha chuveiros no segundo andar (e nem sempre água quente), o café da manhã consistia em pão de fôrma e umas geleias ruins e não tinha onde sentar para comer. Um cachorro enorme ficava sempre ali na recepção entre os hóspedes, e todos os funcionários eram bem informais, meio que voluntários, porque eles são um "hostel independente". Só tinha gente esquisita e nada profissional, era tudo bagunçado e o lugar nem ficava em uma localização boa. Que legal!


A sorte é que Praga é uma cidade maravilhosa, a mais linda que já conheci (e está mesmo entre as mais bonitas do mundo). Logo no primeiro dia tentamos fazer o walking tour, mas os guias eram péssimos e acabamos deixando o grupo pra trás pra andar por aí. A cada esquina que você vira tem uma rua mais linda que a outra. Começando pela Old Town Square (Praça da Cidade Velha), onde tinha uma feirinha toda decorada pra Páscoa e prédios  e igrejas maravilhosos. E saindo de lá não tem erro: não há uma rua que não seja bonita. Nesse dia conhecemos a maior parte dos pontos turísticos - Charles Bridge, Rudolfinum, várias sinagogas da Jewish Town, o teatro, a praça...
Rio Vltava visto da Charles Bridge
Rudolfinum é o auditório da Orquestra
Filarmônica tcheca
Old Town Square
Uma das muitas ruelas lindas de Praga

Ice Bar!
À noite eu e mais duas das meninas fizemos um Pub Crawl - pagamos €20 e tínhamos direito a entrada em 5 bares ou baladas, sendo que na primeira tinha open bar de vários drinks e em cada um dos outros lugares ganhávamos um welcome drink. Acabamos conhecendo uns brasileiros muito gente boa e juntamos o grupo. Todas as baladas eram muito boas, mas a melhor foi a Karlovy Lázně, maior nightclub da Europa Central. Tem cinco andares e mais um bar de gelo e cada um dos andares é temático e toca ritmos musicais diferentes. Não tem como não curtir a festa! Só o bar de gelo que era meio sem graça, mas valeu pela experiência mesmo assim.


No dia seguinte acabamos saindo só à tarde (chegamos em casa 5h) e fomos ao Castelo de Praga, que fica no topo de uma colina e proporciona uma vista de tirar o fôlego. A única parte ruim foi subir os muitos degraus até o topo, porque estavam todas cansadas e doloridas. Mas valeu muito a pena, o lugar é lindo mesmo! O Castelo tem uma mistura de estilos arquitetônicos, e inclui a Catedral de São Vito (gótico), Basílica de São Jorge (romanesco), um monastério e vários palácios, jardins e torres de defesa.  Lá também tem algumas exibições e uma galeria dedicada aos estilos maneirista e barroco.

Praga vista de cima
Catedral de São Vito
Mistura de estilos
arquitetônicos
Saindo de lá fomos ver o John Lennon Wall, um muro todo cheio de pinturas e grafites coloridos. As inspirações são músicas do John Lennon e dos Beatles, mas hoje em dia algumas pessoas avacalham e pintam coisas aleatórias também. O muro é considerado um símbolo de ideais jovens, paz e amor e tal, e tem muita coisa legal pra ver. Também é tradição escrever seu nome no muro, mais ou menos como acontece na Abbey Road em Londres. Ali perto também tem um pub todo dedicado ao tema Beatles - claro que eu adorei o lugar.



Antes de voltar para o hostel, aproveitamos para comprar souvenirs e comer comida típica tcheca na feira. Amei a sobremesa de lá, chamada trdelník (ou trdlo/trdl). Não me pergunte como pronuncia, haha. O doce é feito de uma massa bem parecida com pretzel, que eles puxam fininha e enrolam em um cilindro grosso de metal e deixam girando pra esquentar a carvão. Quando dá o ponto, tiram a massa (que a essa altura virou um rolinho oco) e passam ela numa mistura de açúcar, canela e amêndoas trituradas. Se quiser, dá pra pagar uns centavos a mais para passarem Nutella por dentro. É muito gostoso!

Depois disso fomos arrumar nossas coisas e dormir, porque no dia seguinte nosso trem para Berlim partiria às 6h30 da manhã! Fomos andando para a estação que nos indicaram, o que foi bem trabalhoso porque demorava um pouquinho arrastando malas pelas ruas de pedra. Chegando na estação, mais um susto (eu disse que essa viagem era um filme da sessão da tarde!): nosso trem não aparecia no painel. Aliás, achamos bem estranho que ali só mostrava destinos nacionais, não aparecia nenhuma outra cidade da Europa. Perguntamos para uma mulher, que com a simpatia característica dos tchecos (só que ao contrário, eles são super grossos!) disse que estávamos na estação errada - tínhamos que ir pra internacional, que ficava a uns 10 minutos dali. A essa altura a gente tinha menos de 10 minutos! Começamos a correr desesperadamente. Imagina 5 garotas correndo com malas de rodinhas na capital da República Tcheca, de madrugada! No mínimo cômico. 

Acabamos achando a estação, mas o lugar era enorme e ainda precisávamos chegar na plataforma. Depois de mais correria, acabamos chegando exatamente ao mesmo tempo que nosso trem. Quando eu pus meu pé no último degrau da escada, ele estava parando. Entramos no trem ofegantes, conferimos nosso ingresso e só aí relaxamos um pouco, comentando sobre o azar generalizado na viagem. Mas ainda ia ter mais história...

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1 comentários

  1. Trequinhos e negocinhos...morri de rir...ainda bem que a maior parte da Europa está no euro para facilitar o vocabulário monetário, né?...rs...adorei a passagem por aqui, tirando o hostel claro!!
    bjokas,
    Data

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